“Combata o bom combate, mantendo a fé e a boa consciência, pois alguns, rejeitando a boa consciência, naufragaram na fé.”
1 Timóteo 1:18–19
Há momentos na nossa caminhada com Deus em que o mais necessário não é aprender algo novo, mas lembrar.
Lembrar do que Ele já disse.
Lembrar do que já foi aceso dentro de nós.
Lembrar do chamado, da direção, da identidade que recebemos quando nosso coração estava mais desperto.
Foi isso que Paulo fez com Timóteo. Ele não trouxe uma nova revelação, não apresentou um ensino complicado. Ele simplesmente disse:
“Não esqueça quem você é. Não esqueça o que Deus colocou em você.”
Timóteo já tinha recebido palavra, propósito, direção. Mas palavra não sustenta fé se o coração adormece.
E às vezes, a gente se pega vivendo no automático. A chama que já foi intensa vai ficando pequena. A fé que já foi encontro vai virando conceito. A consciência que já foi nítida vai ficando abafada.
Por isso Paulo fala sobre o bom combate.
Não é uma guerra externa.
É uma luta silenciosa, que acontece por dentro.
É o combate de permanecer firme quando dá vontade de ceder.
De continuar íntegro quando ninguém está olhando.
De ouvir a voz de Deus quando ela fala baixinho, e não só quando ela nos sacode.
Por isso ele une duas palavras que se sustentam mutuamente: fé e boa consciência.
A fé nos faz olhar para Deus.
A consciência nos faz olhar para dentro.
Quando eu sei o que é certo, mas escolho o mais confortável, a consciência vai se silenciando.
E quando ela silencia, a fé começa a se desgastar.
Não de uma vez, mas devagar.
É por isso que Paulo usa a imagem do naufrágio.
O barco não vira em um único impacto.
Ele começa a tomar água aos poucos, até perder totalmente o rumo.
Essa é uma imagem honesta.
Paulo não fala para nos assustar.
Ele fala para nos despertar.
Assim como alguém se afasta aos poucos,
também pode voltar aos poucos.
Voltar não exige espetáculo espiritual.
Não exige força extraordinária.
Voltar começa com uma sinceridade simples:
“Senhor, eu sei onde afrouxei.
Me ajuda a voltar.”
E Ele ajuda.
Deus conhece o caminho de volta melhor do que nós.
A graça sabe reavivar o que ficou brasa.
Sempre.
Perguntas para olhar para dentro
- O que Deus já me confiou, e eu deixei esfriar?
- Em quais detalhes eu tenho ignorado a voz da minha consciência?
- Quando foi que a chama virou brasa? O que contribuiu para isso?
- Existe algo pequeno, discreto, que está me afastando do centro sem que eu queira admitir?
Essas perguntas não são para culpa, mas para clareza.
Oração
Senhor,
eu reconheço que, em alguns lugares do meu coração, eu fui me afastando sem perceber.
Eu deixei a Tua voz ficar distante.
Eu me acostumei com o pouco, mesmo sabendo que o Senhor já me chamou para mais.
Hoje eu peço:
restaura o primeiro amor.
Reacende o fogo que ainda existe, mesmo que pequeno.
Amolece o que endureceu.
Torna minha consciência viva novamente.
Mostra-me onde eu caí , e caminha comigo na volta.
Eu não quero viver apenas sabendo de Ti.
Eu quero viver Contigo.
De verdade.
No secreto, no simples, no cotidiano.
Que meu coração volte a ser inteiro diante de Ti.
Amém.
Para guardar no coração
“Se hoje ouvirdes a Sua voz, não endureçam o coração.”
Hebreus 3:15

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