Nosso ponto de partida é Hebreus 4:14–16, que nos chama a contemplar Cristo como o Sumo Sacerdote que penetrou os céus:
“Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande Sumo Sacerdote que penetrou os céus, conservemos firme a nossa confissão. Porque não temos Sumo Sacerdote que não possa compadecer‑se das nossas fraquezas; antes, foi Ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo‑nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna.”
Todos nós já enfrentamos quedas e falhas espirituais, mas aquele que pertence a Cristo jamais permanece prostrado, pois está seguro nas mãos do Pai. Para compreender plenamente o cuidado de Deus por nós, é importante conhecer os três ofícios essenciais da pessoa de Jesus: Ele é o nosso profeta, o nosso sacerdote e o nosso Rei.
Como profeta, Ele é a boca de Deus. Em Hebreus 1, lemos que Deus falou muitas vezes aos pais pelos profetas, mas “neste último dos dias, nos falou pelo Filho” (Hebreus 1:1–2). Cristo é o Profeta Supremo que nos revela perfeitamente a vontade de Deus.
Como Sumo Sacerdote, Ele leva nossos pecados e fraquezas à presença de Deus, obtendo perdão e purificação em nosso favor. No Antigo Testamento, o sumo sacerdote entrava uma vez por ano no Santo dos Santos, usando sangue alheio. Jesus oferece a si como sacrifício perfeito e eterno; O Seu sangue não precisa ser repetido, porque Ele cumpriu tudo de uma vez.
Como Rei, Ele exerce autoridade plena sobre toda criação, não apenas por Seus atos proféticos ou sacerdotais, mas porque, pela ressurreição, recebeu todo poder do Pai. É Rei sobre reis, Senhor dos senhores.
A carta aos Hebreus foi direcionada a crentes tentados a desistir, que consideravam voltar ao judaísmo em meio à perseguição. O autor apresenta com precisão algo notável: Jesus é o nosso Sumo Sacerdote vivo, nos céus, cujo trono é um trono de graça. Se nos aproximarmos dEle, o caminho aberto, o Sumo Sacerdote vivo, teremos socorro, misericórdia e graça no tempo certo.
O verbo utilizado em “tendo, pois a Jesus…”, que em grego traz a ideia de um estado contínuo, nós temos constantemente, destaca que nossa posição em Cristo é presente, viva e segura.
A grandeza de Cristo como Sumo Sacerdote vem, em primeiro lugar, de sua identidade: Ele é verdadeiramente humano, chamado Jesus, aquele que salva, e verdadeiramente Deus, o Filho de Deus. Jamais houve outro sacerdote com essas duas naturezas unidas em uma só pessoa. Ao contrário dos sacerdotes humanos, Jesus jamais precisou oferecer sacrifício por si; pois Ele era sem pecado, por isso Seu sacrifício foi único e eficaz definitivamente.
Ele é superior também por causa do local onde serve: Ele penetrou os céus. Enquanto os sacerdotes terrenais entravam no Santo dos Santos com medo e rituais para purificação, Jesus entrou nos céus de forma livre, plena, definitiva, diante do trono de Deus.
Ele é igualmente superior por sua simpatia conosco: Hebreus 4:15 diz que Ele se compadece de nossas fraquezas, tendo sido tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Ele compreende cada angústia, cada rejeição, cada dor que você experimentou. A palavra grega aqui expressa não somente empatia, mas identificação profunda, uma compaixão que sofre conosco. Ele chorou, sentiu dor, foi tentado e resistiu, Ele nos entende de dentro.
Romanos 8:26 nos lembra que o próprio Espírito Santo intercede por nós em nossas fraquezas, com gemidos que palavras humanas não conseguem expressar. Enquanto Cristo intercede por nós nos céus, o Espírito habita em nós, agindo como intercessor dentro do nosso coração. Juntos, em perfeita harmonia, eles conduzem nossas orações e dores ao Pai, mesmo quando não sabemos como orar ou o que dizer.
Hebreus 2:14–18 aprofunda essa verdade: por ter participação comum de carne e sangue, Cristo se identificou com a humanidade. Ele se tornou misericordioso, fiel Sumo Sacerdote, apto a fazer expiação e poderoso para socorrer os que são tentados nas horas de provação.
Sua perfeição o torna plenamente eficaz como Sumo Sacerdote: Ele foi tentado, mas não pecou. Isso o capacita a purificar pecadores, sustentar os tentados, levantar os caídos. Não há fraqueza humana que Ele não tenha vencido em sua própria experiência humana, e assim, pode nos ajudar onde somos frágeis.
Podemos nos achegar ao trono da Graça de Deus de forma “confiadamente” (Hebreus 4:16). Isso significa sem medo, sem culpa que nos paralisa, sem insegurança espiritual. Nos achegamos por meio da fé, com arrependimento, conscientes de que o acesso foi aberto por Cristo (Hebreus 10:19-22). Assim como um serafim velava seu rosto diante do trono de juízo (Isaías 6), hoje somos convidados a aproximar-nos de Deus com coragem, convicção e alegria. Não precisamos de intermediários, nem de méritos próprios. O caminho está livre. E o trono não é de juízo, mas de graça.
Devemos nos achegar ao trono da graça com cuidado e reverência, conscientes de que esse acesso foi aberto por um preço altíssimo. A graça de Deus jamais deve ser confundida com licença para o pecado; Cristo nos perdoa não para continuarmos como estamos, mas para sermos transformados (Romanos 6:1–2). Negligenciar esse acesso é desprezar a maior dádiva do céu, e a advertência de Hebreus 2:3 ressoa com força: “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?” Além disso, precisamos lembrar que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens; não devemos colocar nossa confiança em líderes humanos, tradições ou obras. Somente Ele salva, sustenta e intercede por nós.
Ao nos achegarmos a Deus, encontramos aquilo de que mais precisamos: misericórdia e graça. A misericórdia de Deus significa que Ele não nos trata conforme nossos pecados merecem, poupando-nos da justiça severa que seria justa. A graça, por sua vez, é o favor imerecido que Ele nos concede, é o perdão que cura, a salvação que restaura e a nova vida que recomeça. E não somente isso: recebemos também o socorro necessário no momento certo. Quando a tentação se torna intensa, quando o coração se enfraquece ou quando a vida parece prestes a desabar, o Senhor vem ao nosso encontro com compaixão, força e direção.
Se hoje você se sente esgotado, culpado, tentado ou desanimado, saiba: você não precisa fugir de Deus. Corra para Ele. Há um Sacerdote vivo, um caminho novo e vivo aberto pelo Seu sacrifício, e há acesso. Você foi perdoado, aceito, restaurado. A graça está pronta. Venha confiadamente.
Jesus, o Filho de Deus, é o nosso grande Sumo Sacerdote. Conservemos firme a nossa fé, aproximemo-nos com confiança, e encontremos nEle perdão, força e esperança, hoje e para além da eternidade.

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