Entendendo a Pessoa do Espírito Santo

Hoje vamos falar sobre a pessoa do Espírito Santo. Não como um conceito abstrato, um “anjinho” ou um poder místico, mas como uma Pessoa real, viva e santa: o próprio Deus.

Ao longo das Escrituras, o Espírito é representado por muitos símbolos: água, chuva, fogo, vento, sopro, óleo, pomba e até mesmo o título de Senhor. Cada um deles revela algo sobre Sua atuação viva, purificadora, transformadora e soberana. Ele não é algo místico; é alguém com personalidade, vontade e propósito eterno.

Em Gênesis 8:8-12, vemos uma figura poderosa da atuação do Espírito por meio da pomba que Noé soltou após o dilúvio:

“Depois soltou uma pomba, para ver se as águas haviam diminuído sobre a superfície do solo. A pomba, porém, não achando onde pousar os pés, voltou a ele na arca, porque as águas ainda cobriam a superfície de toda a terra; ele estendeu a mão, tomou-a e a recolheu consigo na arca. Esperou ainda outros sete dias e de novo soltou a pomba fora da arca. À tarde ela voltou a ele; trazia no bico uma folha nova de oliveira. Assim Noé ficou sabendo que as águas tinham minguado sobre a terra. Esperou ainda outros sete dias e soltou a pomba, mas ela não tornou mais a ele.”

Essas três viagens da pomba revelam três momentos da atuação do Espírito:

A primeira viagem : a pomba voa, mas retorna. A terra ainda estava coberta por cadáveres, lama, sujeira e morte. O Espírito não habita em impureza. Ele paira, observa, mas não repousa. Assim como em Gênesis 1:2, o Espírito pairava sobre o caos, mas a ação criadora só se iniciou com a Palavra: “Haja luz.” O Espírito sempre age sobre a Palavra. Sem ela, não há vida.

O corvo, símbolo de impureza, sai e não volta, porque encontra alimento na morte. Mas a pomba, símbolo de santidade e paz, não repousa em ambiente contaminado. Essa distinção é espiritual: o Espírito Santo não se mistura com o pecado, não se acomoda na sujeira.

A segunda viagem: a pomba volta com uma folha de oliveira. A terra começa a mostrar sinais de vida. Isso representa o ministério do Espírito no Antigo Testamento. Ele vinha sobre reis, profetas e sacerdotes para missões específicas. Não permanecia. Havia manifestações, mas ainda não havia habitação. O Espírito vinha e voltava, como com Sansão, Saul, Davi. Tudo isso apontava para o que estava por vir.

A terceira viagem: a pomba não retorna. A terra agora está pronta. A pomba encontra repouso. Isso aponta para Pentecostes, quando o Espírito Santo desceu e passou a habitar permanentemente na Igreja. Desde então, Ele está entre nós, habitando em todo aquele que crê. A promessa foi cumprida.

Após a glorificação de Jesus, o Espírito Santo é enviado como promessa do Pai (Lucas 24:49). Ele é o selo do crente (Efésios 1:13). Isso significa que, ao crermos em Jesus, Deus nos marca como Seus, nos dando o Espírito como garantia da nossa salvação. Esse selo é identidade, proteção e promessa. Ele testifica ao nosso espírito que somos filhos de Deus e age como penhor da herança eterna, assegurando que aquilo que começou em nós será plenamente cumprido no dia de Cristo. Ele também é nosso selo, sinal de propriedade divina. Quem crê em Jesus é selado com o Espírito Santo da promessa. Ele nos convence do pecado, nos guia em toda verdade, nos santifica.

A pomba que não voltou simboliza que o Espírito agora permanece. Ele prepara a noiva (a Igreja) para o Noivo (Cristo). Assim como Eliezer foi enviado por Abraão para buscar uma noiva para Isaque, o Espírito Santo nos guia no caminho até encontrarmos com o Noivo.

No caminho, Eliezer cuidou de Rebeca. Alimentou, protegeu, ensinou e falava com carinho sobre Isaque. Rebeca, ao longo da jornada, foi se apaixonando por um homem que ainda não havia visto. Mas, quanto mais conhecia sobre ele, mais desejava o encontro. Assim é conosco. O Espírito Santo nos revela Jesus. Ele nos ensina, nos guarda, nos prepara e cria em nós esse anseio: “Vem, Senhor Jesus.”

Jesus só iniciou Seu ministério terreno após o batismo, quando o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma de pomba. E, antes de ascender aos céus, Jesus prometeu: “Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai” (Lucas 24:49). O Espírito não poderia ser dado antes da glorificação de Cristo (João 7:39). O ministério de Jesus e do Espírito sempre caminharam juntos.

A atuação do Espírito é inseparável da Palavra. Jonas falou poucas palavras em Nínive, mas toda a cidade se curvou. Por quê? Porque era a Palavra de Deus, pronunciada sob o poder do Espírito. Sem Palavra, o Espírito não se move. Sem Espírito, a Palavra não penetra. O novo nascimento acontece quando a Palavra e o Espírito se unem no coração do homem.

João 3 mostra que o novo nascimento é “da água e do Espírito”. O Espírito gera vida espiritual. Ele convence do pecado, da justiça e do juízo. Ele ilumina a Palavra, sela o crente (Efésios 1:13), santifica, consola, direciona e prepara a Igreja, a Noiva, para o Noivo.

Estar cheio do Espírito é desejar profundamente o Noivo. Não por fuga da dor, mas por amor sincero. “O Espírito e a Noiva dizem: Vem” (Apocalipse 22:17).

Como sabemos se o Espírito habita em nós? Quando o pecado perde o gosto. Quando erramos e o coração pesa. Quando há uma voz suave dentro de nós dizendo: “Isso não condiz com quem você é” (Romanos 8:16). O fruto do Espírito é a maior evidência da Sua presença (Gálatas 5:22-23).

No Novo Testamento, toda a Igreja se movia segundo a voz do Espírito: nas missões (Atos 13), nos milagres, nas decisões comunitárias (Atos 15). Ele era o centro. Hoje, muitas igrejas estão cheias de estrutura, música e eventos, mas vazias da Palavra. E sem Palavra, o Espírito não repousa.

O espírito de Jezabel ainda tenta calar a Palavra nos púlpitos. Jezabel perseguiu os profetas de Deus. Hoje, vemos algo semelhante: igrejas que substituem a verdade por entretenimento, pastores que evitam a Escritura para agradar ouvintes. Mas o Espírito só testifica da verdade. Ele não se responsabiliza por discursos humanos, apenas pela Palavra de Deus.

Vivemos dias em que muitos procuram novas revelações, movimentos e sinais, mas negligenciam o que já foi revelado: a Palavra eterna. Não precisamos de novidades. Precisamos de arrependimento, submissão e obediência àquilo que está escrito. “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mateus 4:4).

O Espírito nos convida a voltar para as Escrituras. A voz dEle é suave, mas firme. Ele nos recorda das palavras de Cristo (João 14:26), guia-nos em toda a verdade (João 16:13) e nos transforma de glória em glória (2 Coríntios 3:18). Sua missão não é nos exaltar, mas glorificar a Jesus. Não é nos entreter, mas nos santificar.

No Apocalipse, o Espírito ainda fala: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Apocalipse 2:7). Do Gênesis ao Apocalipse, Ele está presente, ativo, nos chamando para perto, nos preparando para o fim, o encontro com o Noivo.

Jesus é o Deus conosco. O Espírito é Deus em nós. Ele nos sela, nos ensina, nos lembra, nos consola, nos capacita, nos transforma. Ele é Senhor. Não resistamos à Sua voz. Antes, clamemos: “Vem, Senhor Jesus. Enche-nos com teu Espírito.”

Texto inspirado na pregação da missionária Miss Edméia Williams.


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