Entrega Total: O Caminho para a Transformação Espiritual

Quando Deus Não Age: O Que Ainda Estamos Segurando?

Ainda que muitas vezes o nosso discurso diga que queremos o agir de Deus, nossas atitudes mostram o contrário. Vivemos uma fé seletiva, cheia de reservas, onde entregamos o que nos convém e seguramos o que nos conforta. O problema é que Deus não age em corações divididos, Ele não invade espaços, Ele espera ser desejado, buscado, colocado em primeiro lugar.

As Escrituras são claras: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” (Mateus 22:37). Deus não quer sobras, não quer o que sobra do nosso tempo, da nossa atenção, do nosso coração. Ele quer tudo, e qualquer coisa que ocupe esse “tudo” é um impedimento para o Seu agir.

Às vezes, o que nos impede não é o pecado escandaloso, mas a concessão silenciosa. São os excessos que permitimos diariamente: de distração, de ego, de controle, de ansiedade, de entretenimento, de orgulho, são os pensamentos que cultivamos, os desejos que alimentamos, as justificativas que criamos para manter hábitos que sabemos que nos afastam de Deus.

Excesso é tudo aquilo que transborda do lugar que deveria ocupar. O celular que rouba o tempo do devocional. A comparação constante que silencia a gratidão. A agenda cheia de tarefas que sufoca a oração. A vaidade disfarçada de autocuidado que ocupa mais espaço do que a intimidade com o Espírito Santo. O desejo de controlar tudo, inclusive o que só Deus pode resolver.

E no momento em que removemos aquilo que Deus já nos pediu para remover, começamos a ser preenchidos pelas coisas do alto. Aquilo que era peso, distração ou obstáculo cede espaço à presença, paz, a direção do Espírito. E assim, passo a passo, vamos nos aproximando mais do que Ele quer para nós. O problema é que, muitas vezes, estamos confortáveis com aquilo que não era nem para estar em nós. Imagina, então, se permanecer?

C. S. Lewis escreveu: “Deus sussurra em nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas grita em nossas dores. É o megafone para despertar um mundo surdo.” Muitas vezes, Ele permite o desconforto para despertar a nossa sensibilidade espiritual e nos chamar de volta para o lugar de rendição. Não é punição. É amor que corrige. É graça que poda para que possamos frutificar.

O apóstolo Paulo escreveu: “Já estou crucificado com Cristo e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2:20). Esse é o caminho: morrer para o eu, para que Cristo viva em nós.

Mas o que significa “morrer para o eu”?

Significa negar nossos impulsos egoístas, é abrir mão de querer ter sempre razão, é perdoar mesmo quando fomos feridos, é amar quando não há retorno. É escolher obedecer mesmo quando não entendemos. É calar quando o orgulho quer responder, é dizer não à carne, ao imediatismo, à autopreservação a qualquer custo. É dar espaço para que Deus decida o que fica e o que precisa ir embora, é lembrar que a vida cristã não é sobre conforto, mas sobre transformação.

A verdade é que não precisamos entender tudo, precisamos confiar. Dizemos que nos rendemos por inteiro, mas o que realmente fazemos é uma entrega superficial. Guardamos partes, escondemos resistências, suavizamos o chamado à renúncia. Mas Deus não chama para uma fé rasa. Ele chama para profundidade, para verdade, para entrega real.

A solução não é complicada, mas exige coragem. É olhar com sinceridade para dentro de si e perguntar: o que está ocupando o espaço que é de Deus na minha vida? Depois disso, é agir. Renunciar, limpar, reordenar. É abrir mão do que é bom para viver o que é eterno. É deixar o Espírito Santo reorganizar tudo. É jejuar se for preciso. É desligar o que rouba o foco. É voltar ao primeiro amor. É permitir que a Palavra confronte e transforme.

Essa não é uma mensagem de acusação, mas de alerta e amor. Porque o céu ainda está aberto, Deus ainda fala, ainda chama. Mas Ele quer filhos que O desejem mais do que qualquer outra coisa.

Entregue. Confie. Reordene o altar. Mesmo sem entender tudo, confie que quando Deus ocupa o centro, tudo encontra seu lugar.

Porque só assim o agir de Deus poderá alcançar cada parte de você. E, quando Ele age, nada permanece como antes.


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