E se Jesus voltasse agora?

E se o arrebatamento acontecesse neste exato momento? Parece algo distante, improvável, quase como uma história esquecida. Mas mesmo que pareça longínquo, a Palavra é clara: não sabemos o dia, nem a hora. E ainda assim está escrito: “Aquele que há de vir virá, e não tardará.” (Hebreus 10:37)

A verdade é que muitos já não acreditam mais nessa promessa. Há um cansaço espiritual coletivo. Alguns acham que tudo é simbólico, outros se perderam nas rotinas deste mundo, e muitos se decepcionaram com instituições religiosas. Os escândalos, as feridas não tratadas, a frieza das pessoas, a cultura da performance, tudo isso foi apagando o fogo do primeiro amor.

Para o povo judeu, por exemplo, o Messias ainda nem veio. Eles seguem esperando aquele que, segundo suas tradições e escrituras, trará libertação e restauração. A maioria não reconhece que Jesus já veio, viveu, morreu e ressuscitou. Isso faz parte do contexto histórico da fé judaica, que aguarda uma primeira vinda, enquanto nós aguardamos a segunda.

Enquanto isso, o amor se esfria. Muitos já não fazem questão de serem identificados como cristãos. Preferem dizer que são “espirituais”, ou que acreditam “em algo maior”. Outros se perderam nos prazeres, na ganância, na idolatria da própria vontade. Há quem viva no piloto automático, sem perceber que está se afastando, dia após dia, da eternidade com Deus.

Mas e se a gente mudar a lente? E se deixarmos de lado a coletividade, as multidões, os sistemas religiosos? E se pensarmos na salvação como aquilo que realmente é: pessoal, única, intransferível?

E se o arrebatamento acontecesse agora, mas fosse só comigo? Só com você?

Alguns diriam que isso se chama morte. Mas muitos cristãos enxergam isso como um arrebatamento individual. Um encontro solene com o Eterno. Um momento que chega como um sopro, às vezes sem aviso. E então, tudo muda.

“Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lucas 12:20)

É desconcertante pensar nisso. Angustiante, às vezes. Especialmente quando nossa fé está adormecida, quando não temos certeza de nossa salvação, quando estamos frios, distantes ou fingindo uma vida cristã que não existe. Seguimos nos caminhos do Senhor com os pés, mas com o coração em outro lugar. Não pensamos que pode ser hoje. Que pode ser agora. Com a gente. Ou com quem mais amamos.

Eu, sinceramente, não gosto de velórios. Mas nos que já fui, a maioria das pessoas eram cristãs. E há uma frase que costuma trazer alívio ao coração de quem fica: “Agora ele está no seio de Abraão” ou “O Senhor o recolheu”. É como se disséssemos uns aos outros: “Ele foi para o lugar certo.” E isso traz consolo.

Mas o oposto também é verdadeiro. Quando sabemos que a pessoa vivia longe de Deus, que zombava das coisas do Alto, que rejeitava a verdade, o silêncio da família se torna mais pesado. A dor não é só da perda  é também do medo. O medo de onde está a alma.

Muitos tentam encontrar conforto em outras doutrinas. Falam em purgatório, reencarnação, segunda chance, dimensões de evolução espiritual. Mas, com sinceridade e fé na Palavra, sabemos que para nós, cristãos, existem apenas dois destinos: céu ou inferno.

Hoje, Deus nos concede mais uma chance de pensar sobre isso. De olhar para dentro. De parar, mesmo que só por um instante, para refletir sobre o que temos feito da nossa fé. Hoje é o dia de reconhecer que ainda há tempo. Que ainda estamos vivos. E que enquanto há vida, há oportunidade de arrependimento, de recomeço, de salvação.

Se hoje Ele pedisse a sua alma, para onde ela iria?

Que essa pergunta ecoe no nosso coração. Que esse alerta, ainda que simples, seja recebido com temor e amor. Porque há uma eternidade nos esperando. E ela começa com uma decisão.

Eu oro para que, quando chegar a minha hora, e quando chegar a sua, seja em silêncio ou em trombeta, sejamos encontrados fiéis. Que estejamos entre os que ouvirão: “Vinde, benditos de meu Pai. Recebei por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.” (Mateus 25:34)

Que assim seja. Para mim. Para você.


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